Maioria dos executivos é favorável a ações por igualdade de gênero

O Fórum Econômico Mundial já estimou que, no ritmo atual, homens e mulheres terão oportunidades, participação e salários iguais somente daqui a 169 anos, em 2186.

O estudo, realizado no ano passado, analisou a situação em 144 países, inclusive no Brasil, e mostrou que os esforços mundiais pela igualdade de gênero no mercado de trabalho diminuíram nos últimos anos. Hoje, a participação econômica e as oportunidades das mulheres equivalem a menos de dois terços das dos homens.

No Brasil, de acordo com o IBGE, as mulheres respondem atualmente por 43,8% de todos os trabalhadores brasileiros. Mas a participação cai conforme aumenta o nível hierárquico. As mulheres são minoria, 37%, nos cargos de direção e gerência. Já em comitês executivos de grandes empresas no Brasil, são apenas 10%.

Mais recentemente, no último mês de março, a consultoria People Oriented, especializada em recrutamento executivo, ouviu 159 profissionais com cargos diversos em companhias de diferentes portes do país e concluiu que mais de 66% dos executivos são favoráveis a cotas corporativas para mulheres em posições de liderança.

O empoderamento das mulheres como política trabalhista é mais comum nas multinacionais que atuam no Brasil, 58,8% delas realizam iniciativas neste sentido. Entre as grandes empresas nacionais, o percentual é de 46,7%; e a quantidade diminui um pouco mais entre as médias e pequenas companhias, com 32,6% promovendo políticas pela igualdade de gêneros. Já 38,9% das microempresas avaliadas realizam ações com o propósito de empoderar mulheres no trabalho.

As ações mais adotadas são a remuneração única por cargo e não por gênero (em 24% das empresas), o auxílio-creche (24%) e a licença-maternidade estendida (17%), além do equilíbrio obrigatório na quantidade de homens e mulheres em processos seletivos (30,13%).


Desigualdade de gênero no trabalho afeta satisfação de profissionais

Diferenças salariais e presença em cargos de chefia são outros destaques da pesquisa sobre felicidade na profissão. Apenas 39% das mulheres estão felizes com a profissão, e somente 26% delas estão satisfeitas com a renda mensal. É o que mostra a pesquisa sobre felicidade e profissão realizada pelas empresas CVA Solutions e TheWill2Grow com 5.200 pessoas.

Entre os homens, os resultados mostram realidade distinta. Quase a metade, 49% dos entrevistados disseram estar felizes com o trabalho, e 33% estão satisfeitos com a renda.

A pesquisa também revelou que, em média, a renda familiar dos homens é 17% maior do que a das mulheres. Enquanto 27,4% dos homens estão em posições de gerência e são responsáveis por equipes, apenas 21,2% das mulheres ocupam os mesmos cargos.

A diferença salarial entre os gêneros pode chegar até 39%: homens diretores recebem, em média, R$ 8.656 mensais, enquanto as mulheres ganham R$ 6.206. Os homens que concluíram o nível superior ou pós-graduação recebem, em média, mais de R$ 6 mil a mais que as mulheres com a mesma formação.